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Apocalypse Later [entries|archive|friends|userinfo]
apocaliptico

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Capitão Romance [May. 8th, 2004|04:56 pm]
[mood |rushedrushed]
[music |Ornatos Violeta - Capitão Romance]

... não vou procurar quem espero ...
... se o que eu quero é navegar...
... pelo tamanho das ondas ...
... conto não voltar...
... parto rumo à Primavera ...
... que em meu fundo se escondeu ...
... esqueço tudo do que eu sou capaz ...
... hoje o mar sou eu ...
... esperam-me ondas que persistem ...
... nunca param de bater ...
... esperam-me homens que desistem ...
... antes de morrer ...
... por querer mais do que a vida ...
... sou a sombra do que eu sou ...
... e ao fim não toquei em nada ...
... do que em mim tocou ...

EU VI
MAS NÃO AGARREI

... parto rumo à maravilha ...
... rumo à dor que houver pra vir ...
... se eu encontrar uma ilha ...
... paro pra sentir ...
... e dar sentido à viagem ...
... pra sentir que eu sou capaz ...
... se o meu peito diz coragem ...
... volto a partir em paz ...

EU VI
MAS NÃO AGARREI
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Cinza-eu [May. 4th, 2004|01:47 am]
[mood |lethargiclethargic]
[music |Landslide again]

"I've been afraid of changing because I built my life around you...

... time makes you older, even children get older and I'm getting older too."

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e então tu chegaste... [Apr. 29th, 2004|04:22 pm]
[mood |ditzyditzy]
[music |The Smashing Pumpkins - Landslide]

- o que se passa? - perguntaste bruscamente com o ímpeto da tua chegada - vejo tristeza no teu olhar.
- passa-se que o meu amor morreu.
- o Amor não morre, transforma-se, ou então foge para outro lugar.
O meu amor fugiu para o lugar dos teus olhos.
- ao menos sabes se fugiu para longe?
Está mesmo aqui, à minha frente.
- por vezes encontro-o perto - repliquei desviando o olhar - mas depois afasta-se demais...
Para lá da esquina da tua presença.
- então persegue-o! - e vi o meu reflexo ao fundo do teu olhar - persegue-o até mais não quiseres!

Vou persegui-lo!

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O Lobo e a Lebre [Apr. 28th, 2004|02:13 am]
[mood |crazycrazy]
[music |Faith No More - The Gentle Art Of Making Enemies]

um lobo corre, ofegante, corre tanto que a folhagem dos arbustos marca o seu pelo com golpes profundos, em sangue.........................................................................................................
uma lebre corre, com grande perícia desvia-se de todos os obstáculos, não se vê um único pedaço de medo no seu olhar de lebre.................................................................................................
o lobo de tanto correr atrapalha-se e cai, começa a perder a vantagem que tinha em relação à lebre e já se encontra extremamente cansado, desesperado................................................................
a lebre não vacila e corre e salta e começa a reparar num rasto de sangue nas folhagens do caminho, e apressa-se a encontrar a sua origem....................................................................................
o lobo desamparado deita-se no chão à espera de enfrentar o seu terrível destino, aquela espera parece-lhe interminável, se soubesse não tinha corrido tão depressa e desenfreadamente......
a lebre alcança o lobo com a vista e abranda, passo a passo vai-se aproximando e o cheiro a sangue  arde-lhe nas narinas de lebre, de repente num gesto demente, a lebre salta e abocanha-lhe o pescoço, matando-o com um só golpe...

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Impossibilidades [Apr. 22nd, 2004|12:07 am]
[mood |confusedimpossibilited]
[music |Dashboard Confessional - A Plain Morning]

Não me posso sentar sobre a minha vida
porque me dói a ferida da solidão
dói-me a certeza de não te querer
nem próxima nem distante nem ausente
e por mais vezes que me sente
não vou sarar sem esta dor
sem esta mágoa sem este amor-horror

Não me posso inclinar sobre a tua vida
porque me arde a ferida com essa tua brisa
arde-me o sopro que tu emanas
que se dilui no tempo e se dissipa pela alma
e por mais que eu tenha calma
lavo de mim as minhas mãos
que infectaram de mágoa o meu amor-horror

Não me posso calar sobre esta vida
pois por mais silêncio que o frio me traz
sinto uma liberdade que apraz
que me solta e me atira ao ar
que me dá leveza que me faz sonhar
e eu falo e grito, berro e canto
sem medo, sem dor, sem mágoa, sem amor-horror

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Infecção de monotomia [Apr. 21st, 2004|05:45 pm]
[mood |listlesslistless]
[music |Cold - Bleed]

sento-me numa nuvem, nesta nuvem, vejo-me a mim, aquele mim, lá em baixo, longe, automáticamente coberto de regras e compromissos, vai sendo lentamente absorvido pelo jogo do dia do dia-a-dia, tentando sobreviver sugando uma esperança-tédio subentendidamente desesperada da alma dos que fogem livres da monotomia... ficando no mesmíssimo lugar, ocupando cada um dos mesmos milímetros quadrados que sempre ocupou, cantando:

I'm feeling crossed
I take it inside
Burn up the pain
My thoughts are strange
Just like the things
I used to love
Just like the tree that fell
I heard it
If art is still inside
I feel it
I wanna bleed
Show the world all that I have inside
I wanna scream
Let the blood flow that keeps me alive
Take all these strings
They call my veins
Wrap them around
Every fucking thing
Presence of people
Not for me
Well I must remain in tune
Forever
My love is music
I will marry melody
I wanna bleed
Show the world all that I have inside
I wanna scream
Let the blood flow that keeps me alive
Won't you let me take you
For a ride
You can stop the world
Try to change my mind
Won't you let me show you
How it feels
You can stop the world
But you won't change me
I need music
I need music
I need music to set me free
To let me bleed

e todo o seu sangue infectado com memórias, pois cada eritrócito traz em vez de oxigénio uma lembrança que dói, que fere, que sangra e que nunca há-de cicatrizar... ou a voz mais linda que nunca se cala graças a deuses e destinos, ou a sexualidade efémera da deusa das deusas dos amores e dos enganos... o amor, o horror...

               WAKE UP MAN!

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Eu amo a Lua do lado que nunca vi. [Apr. 20th, 2004|12:31 pm]
[mood |quixoticquixotic]
[music |A Perfect Circle - Sleeping Beauty]

"Canção da Saudade" de Almada

   "Se eu fosse cego amava toda a gente.
   Não é por ti que dormes em meus braços que sinto amor. Eu amo a minha irmã gémea que nasceu sem vida, e amo-a a fantasiá-la viva na minha idade.
   Tu, meu amor, que nome é o teu? Dize onde vives, dize onde moras, dize se vives ou se já nasceste.
   Eu amo aquela mão branca dependurada da amurada da galé que partia em busca de outras galés perdidas em mares longíssimos.
   Eu amo um sorriso que julgo ter visto em luz do fim-do-dia por entre as gentes apressadas.
   Eu amo aquelas mulheres formosas que indiferentes passaram a meu lado e nunca mais os meus olhos pararam nelas.
   Eu amo os cemitérios - as lagens são espessas vidraças transparentes, e eu vejo deitadas em leitos floridos virgens nuas, mulheres belas rindo-se para mim.
   Eu amo a noite, porque na luz fugida as silhuetas indecisas das mulheres são como as silhuetas indecisas das mulheres que vivem em meus sonhos. Eu amo a Lua do lado que eu nunca vi.
   Se eu fosse cego amava toda a gente."

quem mais poderia ser que escreveu isto?

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Se eu fosse cão? [Apr. 20th, 2004|12:12 am]
[mood |crankycranky]
[music |Táxi - Vida de Cão]

Às vezes pergunto-me: a minha vida seria diferente se tivesse nascido cão?

... chego à conclusão que sim.

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Salpicos de preto... [Apr. 14th, 2004|07:55 pm]
[mood |confusedconfused]
[music |Sérgio Godinho- Isto Anda Tudo Ligado]

A inevitabilidade da surpresa atónita esbranquiçada salpicada de preto substituiu a certeza de alguma vez que me lembre ter sido peregrino-pioneiro de e a um mundo novo nas proximidades de tudo quanto existe em mim. Para lá dessa riqueza enorme de saber quem sou e porquê assalta-me a escuridão abruptamente incerta de não saber e de não poder adivinhar como um adivinho dos astros e do conhecimento divino o que hei-de ser num futuro que há-de vir mas não o sinto chegar. Talvez no dia da sua chegada eu esteja atento às horas à sua espera numa qualquer plataforma inaudita de comboios intermundiais e talvez lhe acene com um lenço esbranquiçado salpicado de preto e de inevitabilidade.
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1+step [Apr. 8th, 2004|05:36 pm]
[mood |lethargiclethargic]
[music |Tool - Parabola]

de momento não me apetece, não me apetece o apocalipse nem a destruição, quero ser mais humano do que Homem, mais razoável do que razão... quero investir numa vida só minha, já que fui criado sozinho, preciso de companhia nesta quimera, sei que chegarei longe, mas hoje foi só mais um passo...
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